
Microondas inofensivo ou prejudicial?
Inofensivo ou Prejudicial?
O forno de microondas é uma das grandes invenções do século XX. Milhões de familias em todo o mundo utilizam este pequeno electrodoméstico para descongelar, cozinhar ou aquecer alimentos. Segundo dados de Marktest, relativos a 2006, mais de 5,8 milhões de lares portugueses têm fornos microondas, ou seja 70% dos lares Portugal Continental. Ainda assim, há dúvidas sobre os efeitos do microondas na comida e na saúde.
Não se conhece nenhuma Proibição ou desaconselhamento de uso de fornos microondas por qualquer organismo governamental de qualquer país no mundo. A FDA (Food and Drug Administration), a agência governamental norte-americana que regula os alimentos e os medicamentos, tem regulamentado o fabrico de fornos microondas desde 1971.
“Baseados no actual conhecimento sobre a radiação de microondas, a FDA acredita que os fornos que cumprem os nossos padrões e são usados de acordo com as instruções do fabricante, podem ser usados com segurança”,pode ler-se no seu site. Posição idêntica tem a Helth Canada, o departamento federal responsável pela saúde dos canadianos. Isto para citar apenas dois exemplos. Antes de mais convém perceber o que são exactamente as “microondas”. São basicamente uma forma de energia electromagnética de radiofrequência que são geradas electronicamente e não provêm de uma fonte radioactiva, nem fazem com que ao comida ou o próprio forno com que a comida se torne radioactivo. Quando as midroondas penetram na comida fazem com que as moléculas de água e outras substâncias presentes nos alimentos vibrem. É esta excitação das moléculas que provoca o aquecimento e faz com que sejam facilmente cozinhados, mais rapidamente que um forno convencional. Aliás, o menor tempo de cozedura é apontado por muitos especialistas como uma vantagem em relação ao fogão ou ao forno convencional, uma vez que conserva muitas vitaminas e minerais que são sensíveis ao calor ou solúveis na água.
Inúmeros estudos realizados comprovaram a segurança dos fornos microondas. Um, que é geralmente citado e aceite pela comunidade científica, foi levado a cabo em 1995 pelos dinamarqueses Anne Lassen e Lars Ovensen, do Instituite Of Food Safety and Nutrition, em Sooborg, na Dinamarca.
O ùnico perigo dos microondas, e este é bem vincado pelos fabricantes dos electrodomésticos, prende-se com o risco de queimaduras, no caso de o utilizador se sujeitar directamente às microondas. Um risco que está assegurado pelo dispositivo que interrompe a emissão de ondas sempre que a porta se abre. Os líquidos podem também ser mais problemáticos uma vez que podem entrar em ebulição(ferver) sem que se verifique o borbulhar que ocorre num tacho com água ao lume, por exemplo. A maior parte dos estudos ou teorias apresentadas para invocar os perigos da utilização dos fornos de microondas baseiam-se na radiação. Defendem que a agitação molecular que provoca o aquecimento dos alimentos, causa também dano nas moléculas vizinhas, rasgando-as ou deformando-as completamente. Um fenómeno que tem o nome científico de Isomerismo Estrutural.
Em estudo realizado por cientistas espanhóis do CEBAS-CSIC e publicado no Journal of the Science of Food and Agriculture em 2003, concluiu que cozinhar no microondas é “a pior forma de preservar,pelo menos, um dos mais importantes nutrientes que se encontram nos vegetais”. De acordo com Cristina Garcia-Viguera, co-autora do estudo, os brócolos assim cozinhados perderam 97% e 87% de flavonóides e derivados do ácido cafeoilquínico, antioxidantes úteis na prevenção do cancro. Os brócolos cozinhados em vapor em comparação, perderam apenas 11%,0% e 8% dos mesmos antioxidantes. Num artigo publicado em 1992 no jornal Pediatrics, uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford relatou que re-aquecer o leite materno num forno microondas, mesmo a baixas temperaturas, pode destruir algumas das suas propriedades de defesas naturais. Especificamente, verificou-se uma perda de lisosima, que protege contra as infecções bacterianas. O facto de tais alterações se terem verificado a temperaturas muito baixas, convenceu os invetigadores que o próprio microondas pode danificar o leite, mesmo para além do aquecimento.
Também o leite artificial sofre alterações quando exposto às microondas, segundo a investigadora norte-americana Lita Lee, que em 1989 escreveu no jornal The Lancet que alguns aminoácidos trans da fórmula se convertem em substâncias sintéticas como ácidos gordos tran. Um dos aminoácidos, o l-prolina, é convertido numa substância que se sabe ser perigosa para o sistema nervoso e para os rins. A vitamina B-12 é outro dos nutrientes que podem ser destruídos pelo microondas, de acordo com um estudo japonês publicado na Science News em 1998. constatou-se que apenas seis minutos no microondas são suficientes pra destruir metade da vitamina B-12 nos produtos lácteos e na carne, o que é uma taxa de destruição bastante mais elevada que a verificada em outras técnicas de cozinhar.
in performance nº71,OUT de 2007
2007-11-19
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